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	<description>Cinema - Diversos olhares para a cultura</description>
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		<title>Mostra de Cinema Conquista fortalece a cidade como pólo de cultura</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 15:32:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio ao calor tropical da Bahia, a cidade de Vitória da Conquista, situada num planalto da região  sudoeste do estado, ousa apresentar um clima mais frio – não à toa é apelidada de “Suíça baiana”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio ao calor tropical da Bahia, a cidade de Vitória da Conquista, situada num planalto da região    sudoeste do estado, ousa apresentar um clima mais frio – não à toa é apelidada de “Suíça baiana”.<br />
Apesar das baixas temperaturas, que ficam em torno de 14 graus no inverno, a cidade sabe ser calorosa ao ostentar eventos e espaços que servem de resposta às demandas de um público diversificado e<br />
exigente. O cinema é uma dessas atividades que ganharam imenso valor na cidade, e a Mostra Cinema Conquista é a confirmação de uma vocação para a sétima arte.</p>
<p>Ares de cinema &#8211; Em 1912, Conquista vivenciou a primeira exibição cinematográfica, ainda num espaço<br />
improvisado, coberto com palhas de coqueiro. Desde então, a sétima arte cairia no gosto da cidade,<br />
sendo a principal atividade de entretenimento da população entre as décadas de 40 e 80. Na década de<br />
70, por exemplo, a cidade chegou a contar com cinco salas de exibição funcionando ao mesmo tempo e<br />
com sessões sempre lotadas.</p>
<p>E não é só a prática de assistir a filmes e se sociabilizar nos espaços de exibição que faz parte da história<br />
e da memória do cinema em Conquista. Sem dúvida, esta cidade tem ares especiais para as coisas de<br />
cinema, que também povoam a mente de quem quer fazer. São diversos exemplos, desde Glauber Rocha,<br />
ilustre filho da terra, que marca nos seus filmes memórias da infância na cidade, até Gaguinho, um senhor<br />
analfabeto cujo sonho de ser cineasta se concretiza em suas artesanais produções em vídeo, passando<br />
por Aécio Florentino de Andrade, que, no início dos anos 60, fez na cidade o longa “O Tropeiro”, e pela<br />
família Leite, com suas recentes produções digitais, entre outros.</p>
<p>Nessa trajetória de proximidade das pessoas da cidade com o cinema, tanto gosto resultou, pela iniciativa<br />
de amantes da sétima arte, no Clube de Cinema Glauber Rocha (posteriormente Clube de Cinema Anecy<br />
Rocha), que funcionou de 1975 até 1980. Foi a primeira experiência cineclubista de Conquista, mas não a<br />
única. Em 1992, um dos seus assíduos freqüentadores, Jorge Luiz Melquisedeque, fundou, junto com<br />
Esmon Primo, o Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb, que, embora seja um programa da Universidade<br />
Estadual do Sudoeste da Bahia e não um cineclube instituído, sempre desenvolveu, e continua<br />
desenvolvendo, atividades cineclubistas. “Para ver, ouvir e falar de cinema”, o Janela Indiscreta realiza<br />
não só exibições semanais na Uesb, mas também várias outras atividades ligadas ao cinema e<br />
audiovisual, em diversos espaços sociais, em Vitória da Conquista e outras cidades da Bahia, tendo<br />
chegado até outros estados como referência em difusão, formação e pesquisas na área, sendo a Mostra<br />
Cinema Conquista uma das suas realizações.</p>
<p><strong>Iniciativas recentes</strong></p>
<p>Além do Janela Indiscreta, foram surgindo na cidade, nos últimos anos, outras iniciativas alternativas de<br />
difusão. Entre elas, estão: o Cine PEV, da ONG Programa de Educação para a Vida; as exibições do<br />
Segundo o Cinema, desenvolvido por estudantes da Uesb; o Cine Seis e Meia e o Cine-Cidadão, ambos<br />
promovidos pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC); o independente Cine-Café, que se<br />
realiza no Viela Sebo-Café; o Cinema às Avessas, mantido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica<br />
(Cefet); o Cine Sesc Conquista, realizado no Sesc Regional Conquista; <strong>o Cineclube Bode Espiatório, da<br />
Universidade Federal da Bahia (Ufba), campus de Vitória da Conquista</strong>; e o Cine-Comunidade, criado pelo<br />
Ponto de Cultura Atuar. Quanto a espaços comerciais, existem três salas num dos shoppings da cidade.<br />
Definitivamente, Conquista respira cinema. E, diante de todo o fomento, existe ainda uma forte discussão<br />
em torno da implementação do curso de graduação em Cinema e Audiovisual na Uesb, que viria a dar impulso às ações de cinema na cidade e na região.</p>
<p><strong>Mostra 2009 &#8211; </strong>Este cenário de movimentação, produção, exibição e discussão da sétima arte vem sendo<br />
fortalecido desde 2004, com a criação da Mostra Cinema Conquista e sua consolidação como evento de<br />
cinema no país. Este ano, o evento, que está em sua quinta edição, será realizado entre os dias 6 e 11 de<br />
outubro e promoverá exibições de filmes nacionais e internacionais, encontro, seminário, oficinas, curso,<br />
lançamentos de livros e exposições, além de homenagear o cineasta, roteirista e escritor baiano Orlando<br />
Senna.</p>
<p>A Mostra é uma realização da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) e da Uesb, por meio da<br />
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do Programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb, com a<br />
correalização da Casa da Cultura de Vitória da Conquista. A Mostra Cinema Conquista – Ano 5 tem como<br />
patrocinadores o Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual, por meio do Fundo Nacional da<br />
Cultura, e o Governo do Estado da Bahia – secretarias da Fazenda e da Cultura, por meio do Fundo de<br />
Cultura da Bahia.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Notícia Postada em 16/09/2009 as 14:30 hs por: Secom &#8211; PMVC</em></strong></p>
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		<title>Ensaio sobre a cegueira</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 18:44:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexta-feira, dia 12 de Setembro. Ao menos neste ano, melhor época ou data para o lançamento do filme Ensaio sobre a Cegueira não poderia haver – o que dirá para escrever um texto sobre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="HOTWordsTxt">Sexta-feira, dia 12 de Setembro. Ao menos neste ano, melhor época ou data para o lançamento do filme Ensaio sobre a Cegueira não poderia haver – o que dirá para escrever um texto sobre. A primeira quinzena do mês inevitavelmente traz à tona a sensação que os fatídicos acontecimentos de 2001 proporcionaram. A impressão era de que o planeta estava por um triz, imerso no caos, na barbárie, na irracionalidade, perdido na ignorância. Era como se a consciência mundial ou algo como o “imaginário coletivo” passa-se a ser cindido: enquanto a nação mais rica e influente do mundo era atacada, não era claro tampouco compreensível de imediato saber de onde a destruição vinha, o que realmente estava por trás da obscura cortina que camuflava a origem dos raivosos ataques. Embora a adaptação para o cinema do livro homônimo de José Saramago não tenha nenhuma relação direta com o famoso 11 de Setembro (até porque a obra é anterior ao marco), é inegável o fato de que ambos compartilham de mesma temática, de mesmo “zeitgeist” (a intraduzível palavra alemã que designa o espírito de uma época). O horror, o medo, o desespero, o desequilíbrio e a desesperança são só alguns dos ingredientes em comum. A grosso modo, a grande diferença entre ambos reside no fato de que enquanto na ficção, envolta por metáforas, o mundo é assolado por uma inexplicável epidemia onde todos ficam cegos (exceto a protagonista, que no filme é interpretada por Julianne Moore), enquanto na realidade, ao menos naquele caso, era o terrorismo que instaurava a degradação.<span></p>
<p align="justify">Entretanto, exatos sete anos se passaram, e saber se a coincidência das datas entre os atentados e o lançamento do filme nas salas de cinema fora algo planejado foge das minhas faculdades. Por outro lado, minha grande credulidade leva-me a pensar que o mundo convergiu, de uma forma ou de outra, para a realização deste filme e seu lançamento justamente agora – o que me leva a utilizar o velho bordão de que “nada é por acaso”. E, para espanto dos niilistas e céticos de plantão, realmente houve algo do gênero que possibilitou a adaptação da obra para o cinema – uma coincidência que, embora já alardeada pela mídia, é grande demais para ser deixada de lado. O diretor Fernando Meirelles, tomado pelo impulso ao ler o livro, havia procurado Luis Schwarcz, o editor brasileiro do José Saramago, e solicitado que ele consultasse o autor sobre seu interesse em vender os direitos para uma adaptação cinematográfica. A resposta foi negativa, e, em meio ao impasse desolador, Meirelles acabou comprando os direitos de um outro livro: Cidade de Deus. Bom, como diz o freqüente ditado, “o resto é história”. Anos se passaram, e depois do estrondoso sucesso do filme Cidade de Deus o diretor ainda realizou O Jardineiro Fiel. Eis que então o “destino” encarregou-se de fazer justiça: os direitos da adaptação de Ensaio Sobre a Cegueira foram vendidos para um produtor canadense que pensou justamente em Meirelles para adaptação. Uma coincidência que o próprio diretor, ao ponderar o fato de que existem milhares de diretores de cinema no mundo, afirma ser no mínimo “assombrosa”, embora muito empolgante. Quem não ficaria tremendamente entusiasmado?</p>
<p align="justify">Esta e muitas outras histórias, passagens e acontecimentos que ocorreram durante o processo de gestação e realização do filme foram generosamente relatadas em um dos blogs mais interessantes que já conheci. Em uma atitude até onde sei pioneira no cinema, Fernando Meirelles, em seu blog inserido no site da produtora O2 Filmes, contava particularidades da elaboração do filme, que iam desde minuciosas descrições espaciais e sensoriais, vivências do diretor e da equipe diante do árduo e fantástico trabalho, bem como situações curiosas e hilariantes, como o sumiço do roteiro repleto de anotações (outra coincidência, pois já havia acontecido isso nos seus dois longas anteriores) e as constantes brincadeiras que o carismático ator Gael García Bernal levava para as gravações, como a de fingir estar usando lentes que bloqueavam 100% a visão, e a mais célebre de todas que até foi parar no filme, em que imitava Stevie Wonder. Portanto, ao passo que grande parte dos textos sobre o filme irá partir baseada na relação entre filme o texto de Saramago, este em especial tem um espectro diferente. Aqui a tônica será da relação entre o filme e o texto de Meirelles, o que seria simplesmente inevitável, uma vez que ao ver o filme a memória vai simplesmente evocando a escrita do diretor.</p>
<p align="justify">Compreendido em 15 “capítulos” (entre 24 de agosto de 2007 até 6 de março deste ano), o blog contém informações riquíssimas, e não raros eram os que agradeciam pela aula de cinema – que eu já prefiro encarar até como aula de humanismo mesmo. Enfim, começou em sua primeira postagem com a singela frase que dizia simplesmente “primeiro dia de filmagem”. E acabou, em sua última postagem, com um emblemático “amém”. Entre estas duas colocações, uma infinidade de considerações vindas da experiência in loco. Idéias que ganharam luz graças à internet e a boa iniciativa do diretor – muitos dos relatos são absolutamente marcantes. Por exemplo, ao me encontrar no escuro da sala de cinema, e ver no enquadramento Julianne Moore enchendo a tela com sua presença e carisma, a primeira idéia que me ocorreu foi imediatamente a de compartilhar o modo como o diretor e toda a equipe contemplavam a atriz, ao perceberem como sua aparição, dado seu grande talento, era capaz por si só de tornar o simples registro da sua imagem uma experiência cinematográfica. Como bem relata o diretor: “Quando chega a Julianne Moore [...], o quadro parece iluminar-se, a fotografia se completa. A tal da presença, do ‘je ne sais quoi’. Qual é a mágica destas pessoas?”.</p>
<p align="justify">Aliás, bastou estar no cinema e o filme já me ganhou logo de cara. Os obsessivos planos-detalhe de cada uma das lanternas do semáforo que abrem o filme tem a precisão de um esteta. A idéia imediatamente me remeteu ao trabalho do que é pra mim um dos mais geniais diretores de documentários e comercias que existe neste planeta: Errol Morris, que entre outras obras-primas assina o lendário documentário “The Thin Blue Line”, de 1988, que bem recentemente foi lançado no Brasil em DVD com o título de “A Tênue Linha da Morte”. Este tipo de ênfase no detalhe (seja visual ou sonoro) percorre todo o filme.</p>
<p align="justify">Desse modo, não há como ficar imune ao notável trabalho do diretor de fotografia César Charlonne. Além do impressionante tratamento estético que conseguiu proporcionar à película, com seu branco simbolizando uma cegueira do excesso de luz, coube a ele fazer importantes sugestões de locações, como bem conta Merielles. Graças a Charlonne, a produção pode valer-se da aura do centro antigo de Montevidéu, no Uruguai. Também é de suma importância seu papel na idealização e na execução do método de filmagem a quatro câmeras simultâneas (detalhadamente explicado no blog), que proporciona ampla liberdade e abre campo para a improvisação. Sua presença é sentida em todo o filme: é interessante notar como seu trabalho converge com a cenografia, a direção de arte e com o desempenho dos atores no sentido de criar uma unidade plástica. Plasticidade que é mais que espetáculo, uma verdadeira experiência audiovisual. Existe algo de esplendoroso em sua concepção, pois segundo o diretor nos conta no blog, o filme presta homenagem à pintura ao reproduzir no plano a imagem de quadros que de certa forma compõem o imaginário humano. As referências vão de Hieronymus Bosch, Rembrandt, Malevitch, alguns dadaístas, cubistas, Francis Bacon, gravuras japonesas, algumas telas do Lucien Freud, até um memorável plano que remete a pintura de Brueguel. Este tipo de recurso evidentemente não é inédito no cinema, como bem afirma Meirelles no blog. A primeira associação que me veio em mente foi Akira Kurosawa. Não por acaso, em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura (exibida em 08/09), o diretor citou o cineasta japonês como uma grande referência pessoal.</p>
<p align="justify">Há também de ser levado em conta o grande virtuosismo no uso dramático do ajuste de foco. Um trabalho bem planejado e realizado, pois a utilização do foco na composição dos enquadramentos é de tamanha persuasão que é possível compartilhar da angústia do que é perceber que o sentido da visão está se esvaindo para o nada. As constantes fusões de branco, fade-ins e fade-outs que vêm e vão de uma ausência, aparecem entre as cenas acentuando ainda mais aquela sensação desoladora, claustrofóbica, que tem seu ápice na total escuridão pelo qual passa a personagem de Julianne Moore no mercado – pensei que aquela tortura não acabaria nunca. Uma cena digna dos “filmes sonoros” de Walter Ruttman.</p>
<p align="justify">O cuidado para tornar o filme o mais tocante possível exigiu um esforço profissional titânico. Prova disso é o modo como trabalhou o departamento de arte ao, no intuito de ser fiel ao universo do livro de Saramago, trazer veracidade para a tela. Para se ter uma idéia, o departamento caprichou inclusive na sujeira em cena. Como relatou o diretor, entre outras curiosidades atípicas (e que bem exemplificam o rigor da produção), o departamento de arte preparou um verdadeiro catálogo de fezes feitas com chocolate e outras misturas, desenvolveram um know-how incrível para recriar diarréia, cocô de pessoas que comem fibras, de quem só come proteína. Apesar de toda esta tecnologia para confecção destes objetos de cena correspondentes ao cenário urbano do livro, o diretor via-se diante de um dilema, de uma gangorra: de um lado a fidelidade com a descrição da obra de Saramago (que inclusive solicitou ao Meirelles que queria até mais sujeira no filme); De outro, a questão do público: como alguém teria forças para suportar o impacto dessas imagens? Se Meirelles ou qualquer outro diretor tivesse optado por seguir a risca toda a crueza e a sordidez instaurada no ambiente narrado no livro, transpondo fielmente a “nojeira” para as telas, o público do filme poderia se reduzir de modo que nem o maior dos iconoclastas conseguiria digerir o longa. Portanto, qualquer crítica ao trabalho de Meirelles nesse sentido, seja em relação ao “excesso” de sujeira ou de realismo, ou então em relação às cenas de estupro, é, antes de mais nada, exercício de pura injustiça. O curioso é que, como já é sabido, o filme levantou diversas críticas, porém em linhas diversas: para uns, o filme peca por faltar com fidelidade diante da “estatura” da literatura de Samarago; já outros reclamam que o filme falhou por não alçar vôo próprio, por não se libertar da adaptação. Percebo um típico ranço conservador que tem por tradição perseguir adaptações de grandes textos literários, ainda que, estando “cegos”, grande parte da crítica ainda é totalmente incapaz de definir um alvo em comum – o que demonstra uma generalizada falácia em sua argumentação.</p>
<p align="justify">Neste sentido, acredito que o filme, mais do que qualquer outro, abre a discussão sobre a questão da oralidade em meios distintos: até que ponto há liberdade de expressão e aceitação do público na arte do cinema em relação à tradição escrita? Por que será que o discurso audiovisual, ao levar para a tela as mesmas situações que são relatadas no livro, pode gerar reações revoltosas e adversas ao passo que o mesmo não acontece quando o leitor esta diante do texto escrito? Penso no fato de a oralidade em imagem e som estar hoje mais persuasiva que a escrita, uma vez que quando no papel lhe parece inofensiva e distante, porém na tela, com sua verdade aparente, lhe pareça insuportável.  É algo para se discutir. O entrave pelo qual passou Meirelles me traz a lembrança de uma famosa situação semelhante. Coincidentemente, em 1940, lá estava um grande diretor de cinema (John Ford), fazendo a adaptação do clássico de um grande escritor (John Steinbeck), da mesma forma um prestigiado autor - ganhador do prêmio Nobel, sendo que este romance em especial ainda lhe garantiu o Pulitzer. Tratava-se da adaptação para as telas de As Vinhas da Ira. Na obra literária, um personagem miserável, arrasado e completamente faminto sacia sua fome ao amamentar-se no seio de uma mulher desconhecida, uma recém-mãe. A imagem era forte demais para um discurso audiovisual, e por conseqüência Ford teve uma “dor-de-cabeça” daquelas quanto a inserção da cena no filme – que infelizmente acabou ficando de fora. Mesmo 68 anos após este acontecimento, o cinema ainda tem de vivenciar impasses dessa natureza.</p>
<p align="justify">Deixando a polêmica de lado, vamos ao enredo. Apesar de toda a carga dramática, oscilam momentos de extrema graça e outros que levam o público a encher os olhos de lágrimas.  Muitos na sala de cinema caíram na gargalhada em diversos pontos, como quando o médico (Mark Ruffalo, em tocante atuação), mesmo no seu estado de cegueira tenta, completamente desnorteado, separar a briga de outros dois desnorteados cegos briguentos. Mas existem momentos onde é difícil não se sensibilizar, como no primeiro momento em que a personagem de Julianne Moore começa a chorar, isolada no canto direito do plano, iluminada em meio à escuridão, carregando o fardo da culpa por ser a única que ainda vê.</p>
<p align="justify">É interessante pensar o que a cegueira significa no contexto da obra. A deficiência leva os personagens a estarem confinados naquele reduto dos loucos em que se transformou – que em certas situações mais parece o sanatório de O Estranho no Ninho. Curioso notar que, mesmo em uma situação de relativamente poucas pessoas em relação ao universo, os problemas globais se manifestam mesmo em pequena escala. Não é preciso mais que meia dúzia de seres humanos juntos para ver aflorar todo o lado sórdido do homem: lá estão o crime organizado, a corrupção, a violência, o machismo, o racismo, a ganância desmedida pelo poder e pelo dinheiro. Nesse sentido, fica evidente, pelo menos de acordo com minha interpretação, de que a cegueira é a própria auto-destruição, a própria miséria que causamos a nós mesmos, é o fascínio pela perversão. É a velha história do “homem é o lobo do homem” novamente em forma de alegoria. Como bem define o diretor no blog, “ao perder a visão, os personagens fazem o percurso da desumanização, passam a se mover pelo instinto de sobrevivência e suas vidas se resumem a comer, transar, defecar. É só o restabelecimento das relações amorosas, do afeto, do reconhecimento do outro que lhes dá a estrutura para reconstruir suas vidas e se humanizarem novamente”. No momento de virada deste quadro negativo, ocorre a passagem marcante quando a chuva vem para lavar a alma de todos, uma chuva que traz a redenção – não por acaso está vem por terra logo após vermos a imagem de Jesus Cristo vendado. Não era uma chuva de sapos, é verdade, mas senti um tom bíblico no ar naquele instante.</p>
<p align="justify">Quanto à direção, de forma sutil, a narrativa é incrementa com toques brilhantes, próprias do meio cinema, escolhas que fazem da linguagem deste filme um espetáculo à parte. Emocionou-me o momento em que o personagem “do tapa-olho” (Danny Glover), em reunião na prisão de quarentena, liga o radinho e sintoniza uma canção, atendendo ao pedido da “moça dos óculos” (Alice Braga). A música eleva-se a uma catarse coletiva para o grupo de cegos ali reunidos. Aí é que entra uma escolha genial: a música, que inicialmente está lá em cena, ou seja, no espaço diegético, vai gradativamente tomando conta do espaço extra-diegético, ocupando o espaço que cabe à trilha incidental. Vejo este recurso como se a sala de cinema passasse a fazer parte daquele cenário, estabelece um elo entre “cá e lá”.</p>
<p align="justify">Se você reparar na obra de Meirelles como um todo, irá notar uma série de elementos de linguagem em comum e que marcam presença neste último filme, como, por exemplo, a já citada preocupação com a verossimilhança. Em Cidade de Deus, entre outros procedimentos a fim de garantir mais realidade, o diretor havia optado pela utilização de não-atores para determinados papéis, e sim pessoas já devidamente inseridas no contexto da obra. Numa opção assim existe, é claro, um elo com a linguagem documental, mas graças a esse modo de particular de encarar a atuação, Meirelles proporciona mais possibilidades para quem está dando vida ao personagem (seja profissional ou não). Desse modo, eleva a ficção cinematográfica a um patamar de maior liberdade criativa (o que surpreende positivamente os atores), sobretudo de maior autonomia do cinema como arte independente de rígidos roteiros e marcações. E essa característica de sua direção prevaleceu mesmo em Ensaio Sobre a Cegueira. O que remonta não só certa tradição do cinema brasileiro, mas principalmente os grandes clássicos do cinema do período neo-realista na Itália (pós-1945), como no também urbano e caótico Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini. Há ainda, naturalmente, muitas outras características em comum entre seus filmes. Entretanto, as similitudes são reflexo não somente de um modo de atuação, mas também no modo de filmar e até mesmo na temática dos longas. Em relação a esta última, foi crescente na mídia uma tentativa de enquadrar a obra de Meirelles como trilogia, algo que está bem na moda.</p>
<p align="justify">Outro dia, assistindo ao Jornal da Globo, a repórter dizia que um determinado crítico internacional havia dito que o filme encerrava uma trilogia sobre a fragilidade do ser humano. Pensei: céus, isso é genérico demais! Ficou inquietando-me sobre o que, de fato, seria a trilogia de Meirelles – se é que há sentido em pensar seus filmes dessa forma. Tempos depois, estava lendo um texto da autoria do cineasta americano Peter Bogdanovich sobre os filmes do mítico diretor austríaco Fritz Lang, que partiu da vanguarda do expresisonismo na Alemanha dos anos 20 para uma bem-sucedida carreira nos EUA, tendo seu auge no “urbano e caótico” Metrópolis, de 1927. Pois bem, em seu texto, Bogdanovich sintetizava a obra de Lang como “a luta do homem contra as forças que pretendem aniquilá-lo”. Associei imediatamente a descrição de Bogdanovich à filmografia de Meirelles: tráfico de drogas em Cidade de Deus; testes ilegais da indústria farmacêutica em O Jardineiro Fiel; a cegueira em Ensaio Sobre a Cegueira. A diferença maior é que aqui cabe a você completar a obra, ou melhor, desvendá-la.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Por <span class="texto_subtitulo">Juliano Mion (<a href="http://www.cineplayers.com.br" target="_blank">www.cineplayers.com.br</a>)</span><br />
13/09/2008 </strong></p>
<p></span></div>
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		<title>Apresentação do bode</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 18:30:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O projeto “Cinema – Diversos Olhares para a cultura”, conhecido ironicamente como “bode eSpiatório”, é uma iniciativa da comunidade universitária da UFBA em Vitória da Conquista]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O projeto “Cinema – Diversos Olhares para a cultura”, conhecido ironicamente como “bode eSpiatório”, é uma iniciativa da comunidade universitária da UFBA em Vitória da Conquista, cujo propósito é incentivar o gosto pela cultura cinematográfica, aliado a outras manifestações artísticas que são propostas para agitar o espaço cultural da nossa universidade. Desse modo, as sessões oportunizam a apreciação de filmes que são comentados, estimulando aos participantes a construírem significados e interpretações próprias aos diversos sentidos possíveis de uma obra cinematográfica. Além da apreciação estética, os filmes permitem realizar múltiplas leituras sobre o mundo em que vivemos, já que expõem experiências sociais, políticas, culturais, existenciais, filosóficas, oníricas etc. O espaço para as outras manifestações artísticas está aberto para aqueles que desejarem divulgar alguma aptidão artística (Música, Dança, Poesia, Teatro etc.) no início das sessões. Sinta-se convidado a participar não somente como espectador, mas também como um “agitador cultural” na nossa comunidade universitária.</p>
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		<title>Ensaio sobre a Cegueira</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 13:00:02 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Em cartaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Exibição: Dia: 03/03/2009 Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família Horário: 15h Sinopse Adaptação do premiado livro escrito por José Saramago, mostra uma inexplicável epidemia chamada de &#8220;cegueira branca&#8221;, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4>Exibição:</h4>
<p>Dia: 03/03/2009<br />
Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família<br />
Horário: 15h</p>
<h4>Sinopse</h4>
<p>Adaptação do premiado livro escrito por José Saramago, mostra uma inexplicável epidemia chamada de &#8220;cegueira branca&#8221;, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.<span id="more-98"></span></p>
<h4>Ficha Técnica</h4>
<p>Título Original: Blindness<br />
Elenco: Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Martha Burns.<br />
Direção: Fernando Meirelles<br />
Gênero: Drama<br />
Duração: 120 min.<br />
Distribuidora: Fox Filmes</p>
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		<title>O Trem da Vida</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 13:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme Trem da Vida, de Radu Mihaileanu, é daqueles momentos mágicos do cinema: vencedor de vários prêmios, mescla a fantasia com a dura realidade, trazendo nas entrelinhas mensagem transcendental. Tudo começa quando Schlomo, o bobo da pequena aldeia judia no Leste Europeu, traz a terrível notícia de que os nazistas estão chegando para deportarem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O filme Trem da Vida, de Radu Mihaileanu, é daqueles momentos mágicos do cinema: vencedor de vários prêmios, mescla a fantasia com a dura realidade, trazendo nas entrelinhas mensagem transcendental.<span id="more-89"></span></p>
<p>Tudo começa quando Schlomo, o bobo da pequena aldeia judia no Leste Europeu, traz a terrível notícia de que os nazistas estão chegando para deportarem todos os judeus pr’algum famigerado campo de concentração. Todos suspeitam qual é o destino reservado, caso sejam capturados e enviados a um daqueles matadouros. Entre atônitos e amedrontados, muitos passam a sugerir planos mirabolantes de fuga. A mais lúcida e ao mesmo tempo mais estapafúrdia alternativa é justo a do que é considerado louco por seu povo: comprar um trem e alguns deles vestirem uniformes nazistas, para que disfarçados passem pela fronteira, rumo a Rússia, alcançando a sonhada liberdade.</p>
<p><a href="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/12/trem-da-vida_critica.jpg"><img class="size-full wp-image-93 alignleft" style="float:left; margin-right:10px" title="trem-da-vida_critica" src="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/12/trem-da-vida_critica.jpg" alt="" width="300" height="218" /></a>A partir daí, o Conselho da comunidade passa a recolher doações para a aquisição de locomotiva e vagões, todos adquiridos em péssimo estado de conservação, que são reformados antes da partida. Tudo feito às escondidas, para que a população da cidade vizinha não os delate. O maquinista encarregado da viagem é burocrata na estação ferroviária, que sempre sonhou em conduzir um trem, trazendo consigo velho manual. Há cisões entre os fugitivos: de comunistas a religiosos. O que é escolhido a se passar por major nazista, por dominar o idioma germânico, é pacífico judeu, de nome Mordechai, que com o passar do tempo, veste a personagem e trata a todos com se de fato fosse nazista, para que convença a si mesmo, e seja convincente, caso encontrem alguma patrulha alemã pelo caminho.</p>
<p>Fantasia que lembra caso verídico: experiência feita em faculdade americana, reunindo alunos, divididos em 2 grupos (apenados e carcereiros), teve que ser interrompida, pois os que se passavam por algozes começaram a ser truculentos com os falsos prisioneiros. O que corrobora com a assertiva de Napoleão: “Todo aquele que não deseja ser oprimido, quer ser opressor”. O caso do perseguido povo de Israel, que sempre disperso, até o final da 2ª Guerra, e que durante esta sofreu o maior genocídio da História (em prisões e fornos crematórios), e, anos depois, seu exército agindo de forma autoritária contra assentamentos palestinos, levantando muros, é paradoxo dramático.</p>
<p>Trem da Vida não é drama, apesar de mesclar comédia e tragédia, fazendo rir e chorar na dose certa, e a cada cena. Numa delas, talvez a que sintetize todo o filme, Schlomo, o bobo, reflete sobre a existência humana, numa das passagens mais memoráveis: “Deus criou o homem à sua imagem./Isso é lindo! Schlomo à imagem de Deus./Mas quem escreveu isso no Torah?/Foi o homem, não Deus./O homem escreveu sem modéstia, comparando-se a Deus./Talvez Deus tenha criado o homem.O homem./O homem, filho de Deus, criou Deus, só para poder se inventar&#8230;/O homem escreveu a Bíblia&#8230; para não ser esquecido sem se importar com Deus./Não amamos e não oramos a Deus./Ou melhor, imploramos para que nos ajude aqui na Terra&#8230;/Mas não nos importamos com Ele./Só pensamos em nós mesmos./A questão não é saber se Deus existe ou não&#8230;/Mas sim se nós existimos”.</p>
<p>Ao olharmos em volta, e vermos o mundo e as pessoas que nos rodeiam, suas idiossincrasias, conceitos e preconceitos, pecados e virtudes, glórias e sinas, grandezas e misérias humanas, a questão é saber &#8211; não se Deus existe, mas &#8211; se nós existimos da forma que vemos o outro ou que o outro nos vê. Quem ou o que é real? Como disse Paulo Autran: “Acho que o homem fez Deus a sua imagem e semelhança.”</p>
<p>Nesse Trem da Vida, nem sempre somos a locomotiva da própria existência passageira, e, quando muito, apenas um dos inúmeros vagões, atrelados aos interesses de “maquinistas” que decidem por nós: vida, caminho, destino e futuro. Descarrilados sonhos são deixados pra trás, quando descemos na estação deserta ou seguimos adiante sem fazer concessões ao justo, líquido e certo. Se a vida é como o trem que passa, talvez cada vagão seja parte de nós, lotado de esperanças e desilusões. Padre Vieira disse: “Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz”.</p>
<p><strong>Observação:</strong> Artigo acima, autoria de José Antonio Klaes Roig, publicado originalmente no Jornal Letra Viva, nº 17, outubro/2005.</p>
<p><strong>Fonte:</strong> <a href="O filme Trem da Vida, de Radu Mihaileanu, é daqueles momentos mágicos do cinema: vencedor de vários prêmios, mescla a fantasia com a dura realidade, trazendo nas entrelinhas mensagem transcendental.  Tudo começa quando Schlomo, o bobo da pequena aldeia judia no Leste Europeu, traz a terrível notícia de que os nazistas estão chegando para deportarem todos os judeus pr’algum famigerado campo de concentração. Todos suspeitam qual é o destino reservado, caso sejam capturados e enviados a um daqueles matadouros. Entre atônitos e amedrontados, muitos passam a sugerir planos mirabolantes de fuga. A mais lúcida e ao mesmo tempo mais estapafúrdia alternativa é justo a do que é considerado louco por seu povo: comprar um trem e alguns deles vestirem uniformes nazistas, para que disfarçados passem pela fronteira, rumo a Rússia, alcançando a sonhada liberdade.  A partir daí, o Conselho da comunidade passa a recolher doações para a aquisição de locomotiva e vagões, todos adquiridos em péssimo estado de conservação, que são reformados antes da partida. Tudo feito às escondidas, para que a população da cidade vizinha não os delate. O maquinista encarregado da viagem é burocrata na estação ferroviária, que sempre sonhou em conduzir um trem, trazendo consigo velho manual. Há cisões entre os fugitivos: de comunistas a religiosos. O que é escolhido a se passar por major nazista, por dominar o idioma germânico, é pacífico judeu, de nome Mordechai, que com o passar do tempo, veste a personagem e trata a todos com se de fato fosse nazista, para que convença a si mesmo, e seja convincente, caso encontrem alguma patrulha alemã pelo caminho.  Fantasia que lembra caso verídico: experiência feita em faculdade americana, reunindo alunos, divididos em 2 grupos (apenados e carcereiros), teve que ser interrompida, pois os que se passavam por algozes começaram a ser truculentos com os falsos prisioneiros. O que corrobora com a assertiva de Napoleão: “Todo aquele que não deseja ser oprimido, quer ser opressor”. O caso do perseguido povo de Israel, que sempre disperso, até o final da 2ª Guerra, e que durante esta sofreu o maior genocídio da História (em prisões e fornos crematórios), e, anos depois, seu exército agindo de forma autoritária contra assentamentos palestinos, levantando muros, é paradoxo dramático.  Trem da Vida não é drama, apesar de mesclar comédia e tragédia, fazendo rir e chorar na dose certa, e a cada cena. Numa delas, talvez a que sintetize todo o filme, Schlomo, o bobo, reflete sobre a existência humana, numa das passagens mais memoráveis: “Deus criou o homem à sua imagem./Isso é lindo! Schlomo à imagem de Deus./Mas quem escreveu isso no Torah?/Foi o homem, não Deus./O homem escreveu sem modéstia, comparando-se a Deus./Talvez Deus tenha criado o homem.O homem./O homem, filho de Deus, criou Deus, só para poder se inventar.../O homem escreveu a Bíblia... para não ser esquecido sem se importar com Deus./Não amamos e não oramos a Deus./Ou melhor, imploramos para que nos ajude aqui na Terra.../Mas não nos importamos com Ele./Só pensamos em nós mesmos./A questão não é saber se Deus existe ou não.../Mas sim se nós existimos”.  Ao olharmos em volta, e vermos o mundo e as pessoas que nos rodeiam, suas idiossincrasias, conceitos e preconceitos, pecados e virtudes, glórias e sinas, grandezas e misérias humanas, a questão é saber - não se Deus existe, mas - se nós existimos da forma que vemos o outro ou que o outro nos vê. Quem ou o que é real? Como disse Paulo Autran: “Acho que o homem fez Deus a sua imagem e semelhança.”  Nesse Trem da Vida, nem sempre somos a locomotiva da própria existência passageira, e, quando muito, apenas um dos inúmeros vagões, atrelados aos interesses de “maquinistas” que decidem por nós: vida, caminho, destino e futuro. Descarrilados sonhos são deixados pra trás, quando descemos na estação deserta ou seguimos adiante sem fazer concessões ao justo, líquido e certo. Se a vida é como o trem que passa, talvez cada vagão seja parte de nós, lotado de esperanças e desilusões. Padre Vieira disse: “Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz”.   Observação: Artigo acima, autoria de José Antonio Klaes Roig, publicado originalmente no Jornal Letra Viva, nº 17, outubro/2005.  Fonte: http://letravivadoroig.blogspot.com">http://letravivadoroig.blogspot.com</a></p>
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		<title>O Trem da Vida</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 12:37:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Exibição: Dia: 16/12/2008 Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família Horário: 17h Sinopse Europa Oriental, 1941. Em uma remota aldeia com uma população basicamente de judeus Shlomo (Lionel Abelanski), o louco do lugarejo, anuncia que os nazistas estão chegando e que a aldeia deles será a próxima que deverá ser atacada por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4><img class="alignnone size-full wp-image-81" style="float: left; margin-right: 10px;" mce_style="float:left; margin-right:10px" title="trem-da-vida" src="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/12/trem-da-vida.jpg" mce_src="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/12/trem-da-vida.jpg" alt="trem-da-vida" width="200" height="273">Exibição:</h4>
<p>Dia: 16/12/2008<br />
Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família<br />
Horário: 17h</p>
<h4>Sinopse</h4>
<p>Europa Oriental, 1941. Em uma remota aldeia com uma população basicamente de judeus Shlomo (Lionel Abelanski), o louco do lugarejo, anuncia que os nazistas estão chegando e que a aldeia deles será a próxima que deverá ser atacada por eles. O conselho de sábios da aldeia delibera o que deve ser feito, mas é Shlomo quem tem uma idéia inspirada ao elaborar um plano de fuga, no qual eles simularão uma falsa deportação com parte dos judeus se fazendo passar por nazistas, com os falsos alemães levarão os &#8220;prisioneiros&#8221; até a Palestina. Embora vários estejam convencidos que Shlomo está fora de seu juízo perfeito, o plano segue adiante. Primeiro são selecionados certos membros da aldeia para se fazerem passar por nazistas, com vagões sendo comprados e reformados. Logo o trem está pronto e a aldeia é deixada para trás, mas quando começa a viagem algo inesperado acontece: as encenações se tornam mais realistas, pois os &#8220;nazistas&#8221; se tornam mais autoritários. Os &#8220;deportados&#8221; tramam uma rebelião contra seus falsos algozes e outros se declaram &#8220;comunistas&#8221;, além disto surgem verdadeiros alemães no caminho.</p>
<h4>Ficha Técnica</h4>
<p>Título Original:&nbsp;Train de Vie<br />
Gênero:&nbsp;Comédia<br />
Tempo de Duração: 103 minutos<br />
Ano de Lançamento (França): 1998<br />
Sites Oficiais: www.paramountclassics.com/train<br />
Estúdio:&nbsp;Hungry Eye Lowland Pictures BV / Raphael Films / 7IA / Noé Productions<br />
Distribuição: Paramount Pictures<br />
Direção:&nbsp;Radu Mihaileanu<br />
Roteiro: Radu Mihaileanu<br />
Produção: Marc Baschet, Ludi Boeken, Frédérique Dumas-Zajdela, Eric Dussart e Cédomir Kolar<br />
Música: Goran Bregovic<br />
Direção de Fotografia: Yorgos Arvanitis e Laurent Dailland<br />
Desenho de Produção: Christian Niculescu<br />
Figurino: Viorica Petrovici<br />
Edição: Monique Rysselinck</p>
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		<title>Sicko &#8211; S.O.S. Saúde</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 17:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Exibição: Dia: 20/11/2008 Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família Horário: 17h Sinopse: Um painel do deficiente sistema de saúde americano. A partir do perfil de cidadãos comuns, somos levados a entender como milhões de vidas são destruídas por um sistema que, no fim das contas, só beneficia a poucos endinheirados. Ali [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4><a href="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/10/sicko.jpg"><img style="float:left; margin-right:10px" title="sicko" src="http://www.bodeespiatorio.org/wp-content/uploads/2008/10/sicko.jpg" alt="" width="200" height="282" /></a>Exibição:</h4>
<p>Dia: 20/11/2008<br />
Local: Auditório da Escola de Formação em Saúde da Família<br />
Horário: 17h</p>
<h4>Sinopse:</h4>
<p><span class="style5">Um painel do deficiente sistema de saúde americano. A partir do perfil de cidadãos comuns, somos levados a entender como milhões de vidas são destruídas por um sistema que, no fim das contas, só beneficia a poucos endinheirados. Ali vale a lógica de que, se você quer permanecer saudável nos Estados Unidos, é bom não ficar doente. E, depois de examinar como o país chegou a esse estado, o filme visita uma série de países com sistema de saúde público e eficiente, como Cuba e Canadá.</span><span id="more-40"></span></p>
<h4>Ficha Técnica:</h4>
<p><span style="font-size: x-small; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"><em>Título Original:</em> Sicko<br />
<em>Gênero:</em> Documentário<br />
<em>Tempo de Duração:</em> 113 minutos<br />
<em>Ano de Lançamento (EUA): </em>2007<br />
<em>Site Oficial:</em> <a href="http://www.sicko-themovie.com/" target="_blank">www.sicko-themovie.com</a><br />
<em>Estúdio:</em> The Weinstein Company / Dog Eat Dog Films<br />
<em>Distribuição:</em> The Weinstein Company<br />
<em>Direção:</em> <a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/diretores/michael-moore/michael-moore.asp">Michael Moore</a><br />
<em>Roteiro:</em> Michael Moore<br />
<em>Produção:</em> Michael Moore e Meghan O&#8217;Hara<br />
<em>Música:</em> Erin O&#8217;Hara<br />
<em>Edição:</em> Geoffrey Richman, Chris Seward e Dan Swietlik</span></p>
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		<title>Comentários sobre a estréia</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 15:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[A estréia do Bode Espiatório aconteceu no dia 31/10 e foi um momento especial para toda a nossa comunidade acadêmica. Foi dado o passo inicial para ações de cultura]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A estréia do Bode Espiatório aconteceu no dia 31/10 e foi um momento especial para toda a nossa comunidade acadêmica. Foi dado o passo inicial para ações de cultura em nosso campus e o desejo é de que se consolidem espaços e oportunidades para as diversas expressões culturais da nossa universidade. Há a necessidade urgente de criarmos experiências que impactem e problematizem o modo como “olhamos” e nos “sensibilizamos” com o mundo. Aqui o olhar e a sensibilidade cinematográfica podem propiciar uma quebra com os automatismos que nos envolvem de forma recorrente, buscando assim transpor as ações e reflexões meramente treinadas para as situações padrões do dia-a-dia, e quem sabe poder instituir espaços coletivos que desejem desestabilizar o olhar domesticado e refém do cotidiano. Esperamos assim que o cinema e as demais artes que se fizerem presentes nas sessões do bode possam nos mobilizar em torno dos diversos temas, sensações, sonhos e utopias que nos acomete na vida. Os nossos parabéns pela primeira intervenção cultural do Bode vão para os discentes Luan, Damian e Geysa que se apresentaram e divulgaram seus talentos na nossa sessão de estréia. <a href="http://www.bodeespiatorio.org/galeria-de-fotos/">Confiram as fotos!!!</a> Esperamos que a nossa comunidade universitária confirme presença e se mobilize para prestigiar as próximas sessões!!!</p>
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		<title>Sicko &#8211; $O$ Saúde</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 17:06:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dizer que Michael Moore é polêmico não é mais novidade e já existem até aqueles que ligam sua audácia às mesmas politicagens e jogos de interesse que ele próprio condenou em seu Fahenheit 11/9, o que demonstra que seus filmes conseguiram sim causar alguma repercussão. E por isso mesmo no Festival do Rio 2007, SOS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizer que Michael Moore é polêmico não é mais novidade e já existem até    aqueles que ligam sua audácia às mesmas politicagens e jogos de interesse que    ele próprio condenou em     seu <strong>Fahenheit</strong><strong> 11/9</strong>, o que    demonstra que seus filmes conseguiram sim causar alguma repercussão. E por    isso mesmo no Festival do Rio 2007, <strong>SOS Saúde</strong> participou da    Mostra Panorama juntamente com <strong>Fabricando Discórdia</strong> (Manufacturing Dissent, 2007) um documentário cuja idéia foi seguir Moore bem    de perto, tentando mostrar como ele se transformou de pessoa comum a ícone de    denúncias sobre os EUA. E assistindo a seu novo trabalho, a construção de    suas críticas quanto ao processo de mercadologização da saúde nos EUA parece    muito mais coesa e até um pouco mais madura do que suas produções anteriores.    E isso talvez se deva ao fato de que, mesmo partindo de si ou de seu país,    sua investigação não diz respeito apenas aos seus compatriotas.</p>
<p>Sem deixar de conectar o cotidiano de pessoas comuns a grandes decisões    políticas (que obviamente ocorrem à revelia de todos e mascaradas como algo    útil e importante no contexto geral da sociedade) ele remonta o caminho    trilhado para que o sistema de saúde norte-americano tenha se tornado uma boa    mina de ouro para poucos e uma grande tortura a todos que realmente    necessitam de seus serviços.</p>
<p>Apresentados ao longo do documentário, alguns casos complexos nos levam a    pensar que as empresas que gerenciam esses seguros saúde (cujos maiores    acionistas, em alguns casos, foram os próprios lobistas que ajudaram a    aprovar as leis de surgimento dos planos) têm a última palavra sobre a vida e    a morte das pessoas, a ponto de alguém arriscar a própria vida nos escombros    do World Trade Center porque, em frente a urgência de voluntários, foi garantido    a quem se voluntariasse qualquer assistência médica necessária devido a    insalubridade do lugar.  E Moore encontra alguns ex-voluntários    (saudados como heróis populares no momento imediatamente posterior à    tragédia) que não conseguiram comprovar que adquiriram determinados problemas    ali, ajudando nos resgates e hoje sofrem as conseqüências sem apoio algum.</p>
<p>Depois de investigar em casa, Michael Moore vai ao Canadá, Inglaterra,    França e Cuba saber como funcionam alguns sistemas de saúde público mundo a    fora. Logicamente a ida a Cuba teve pelo menos três motivos polêmicos: 1)    Explicitar um ponto de inferioridade dos EUA frente a um país que eles    historicamente julgam e sentenciam como lugar sem liberdades e direitos    políticos; 2) Cutucar uma grande ferida que ainda estava bem aberta e tinha    causado grande polêmica entre os norte-americanos: as torturas e maus tratos    que levaram a morte um grupo de muçulmanos, caso ocorrido na base militar de    Guantánamo em Cuba, e que num primeiro momento de defesa por parte das    autoridades competentes, foi dito que todos os presos da base recebiam    inclusive tratamentos médicos gratuitos, e aqui eles deram a deixa que Moore    precisava; 3) Ironizar, já que o documentarista e alguns convidados tentam    aproximar-se da base militar utilizando um barco pequeno, muito semelhante ao    que se vê associado aos refugiados cubanos, que segundo contam algumas    estatísticas, em geral acabam morrendo na busca por uma vida melhor no país    de Bush.</p>
<p>É fácil que um brasileiro também não se impressione com as comparações,    seja com a desumanidade do sistema de saúde dos EUA que consegue fazer com    que até gostemos um pouco mais do SUS (mesmo sabendo que se não nos    mobilizarmos acabaremos seguindo por esse mesmo processo de sucateamento e    privatização total) ou com as práticas correntes nos sistemas ingleses e    franceses, que de tão bons chegam a gerar uma dúvida ao contrário.</p>
<p>Afinal, a mensagem que mais chamou atenção nesse documentário foi a de que    um país que teme a reação de sua população vai obviamente pensar bastante    antes de desrespeitá-la. Da mesma forma que um povo consciente de seus    direitos e deveres não deveria temer os governantes que ele mesmo escolheu, e    só assim essa cadeia de abusos estaria perto de ser desfeita.</p>
<p align="right">Por Geo Euzebio<br />
07/03/2008</p>
<p><strong>Fonte: Cineplayers</strong></p>
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		<title>A importância do Cineclube nas universidades</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 16:56:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Como instituições congregadoras do saber e do conhecimento, as universidades têm uma missão para com seus alunos, dirigentes e demais associados: a própria universalização da cultura e experiência acumulada ao longo dos anos de convívio acadêmico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span> </span>Como instituições congregadoras do saber e do conhecimento, as universidades têm uma missão para com seus alunos, dirigentes e demais associados: a própria universalização da cultura e experiência acumulada ao longo dos anos de convívio acadêmico. Para além das salas de aula, o repasse dessa cultura pode também estar nas salas de exibição, onde geralmente se deixa um projetor falar por si só, tanto ou até mais que qualquer professor.</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span>Os Cineclubes são importantes à medida que estudantes em geral (e não só os do ensino superior) necessitam de visão ampla do mundo, de acesso aos mais variados meios de transmissão do conhecimento. O cinema, como grande ferramenta artística, trazendo, em si, várias artes em uma só (música, literatura, teatro, fotografia, etc), faz-se de suma importância para o aprendizado, conscientização e, claro, para o aprimoramento da criticidade de um público a que se pressupõe constituir pensadores.</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span>Talvez pelo costume de assistir a filmes dublados e superproduções hollywoodianas algumas pessoas percam-se nas legendas e na trama dos filmes que os cineclubes exibem. É algo a que desde a infância nos habituamos, com o poder do refletor da TV aberta no centro da sala e a disposição dos convivas em assistir a produções televisivas; de fato, há que se compreender a indiferença dos que ignoram o cinema de universidade. Mas, tal como o conceito do cinema televisivo foi construído, também poderá ele dar lugar a inovações na apreciação de arte tão versátil em temas e abordagens.</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span>A popularização dos Cineclubes em instituições de ensino superior traz ganhos que as usuais xérox, livros e aulas não são capazes de transmitir. A difusão do cinema nas universidades conduz o estudante ao mundo da irrealidade, onde a realidade em que vivemos é mostrada, ora de forma utópica, ora mais mundana; porém sempre buscando extrair resquícios de saber das mentes que o acompanham, um sorriso sutil ante a vastidão do mundo das idéias.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Fonte:</strong> <a href="http://jotamatias.wordpress.com/2007/10/01/artigo-a-importancia-dos-cineclubes-nas-universidades/" target="_blank">jotamatias.wordpress.com</a></p>
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